Apresentação
A fotografia é, simultaneamente, registo, memória e reflexão. Mais do que reproduzir a realidade, pode interpretá-la, questioná-la e dar-lhe novos significados. É a partir desta perspetiva que nasce o projeto “Na Paisagem do Médio Tejo: a Fotografia como mediação cultural”, promovido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIM MT) e organizado pela associação cultural Paisagem Adjacente, em parceria com o Centro de Estudos em Fotografia de Tomar, CEFT – Casa dos Cubos, Câmara Municipal de Tomar, CMT, e Instituto Politécnico de Tomar, IPT.
Este projeto propõe um olhar renovado sobre o território do Médio Tejo, explorando a fotografia de paisagem como instrumento de conhecimento, de construção de identidade e de valorização cultural.
Objetivos
• - Demonstrar o papel da fotografia como mediadora cultural nos processos de compreensão do território, da sua identidade e transformações;
• - Valorizar a memória visual e os arquivos fotográficos, como elementos fundamentais para o estudo das mudanças paisagísticas;
• - Proporcionar uma visão culturalmente inclusiva e transversal da região do Médio Tejo;
• - Contribuir para o desenvolvimento cultural e turístico da comunidade.
Produtos finais
• - Exposição itinerante – estreia em 7 de novembro de 2025 no CEFT – Casa dos Cubos, em Tomar, onde estará disponível até 11 de janeiro de 2026, data a partir da qual deverá itinerar na Rede de Museus do Médio Tejo;
• - Catálogo – distribuído em postos de turismo, museus, escolas, bibliotecas municipais e escolares;
• - Arquivo fotográfico – disponibilizado em plataformas digitais do CEFT/Paisagem Adjacente - associação cultural;
• - Sessões de sensibilização – em datas a anunciar e dirigidas a técnicos de museus, cultura e turismo, e escolas, bem como ao público em geral;
Idealização e coordenação
António Ventura, presidente da direcção da Paisagem Adjacente - associação cultural.
Fotógrafos
Duarte Belo (Lisboa, 1968)
Arquiteto de formação e fotógrafo desde 1986, é responsável por um dos mais vastos arquivos de paisagem em Portugal, com mais de 1,7 milhões de imagens. O seu trabalho sobre território e memória visual está amplamente publicado e exposto.
António Ventura (Lagos, 1958)
Fotógrafo, foi professor de Fotografia no Instituto Politécnico de Tomar até 2024. Especialista em Fotografia pelo Instituto Politécnico de Tomar, fundador do curso superior de fotografia no IPT e do CEFT - Casa dos Cubos, CMT/IPT, é presidente da direcção da Paisagem Adjacente - associação cultural, da qual é sócio fundador;
Entidades Envolvida
• - Promotor: Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMMT)
• - Organização: Paisagem Adjacente – associação cultural
• - Parceiros: Centro de Estudos em Fotografia de Tomar, CEFT – Casa dos Cubos, CMT/IPT, Rede de Museus do Médio Tejo.
Público-Alvo
• - Câmaras municipais, museus e instituições culturais da região;
• - Comunidade escolar, em diferentes níveis de ensino;
• - Público em geral interessado em fotografia, património e identidade territorial.
Contactos
Paisagem Adjacente – Associação Cultural
paisagem.adjacente.geral@gmail.com
CEFT – Casa dos Cubos, Tomar
Projecto de referência
https://fotografiaeterritorio.ceft.pt
O projeto
Na Paisagem do Médio Tejo: a Fotografia como Mediação Cultural
A Paisagem Adjacente – Associação Cultural (PA-ac) é uma iniciativa de cidadania dedicada à valorização e difusão da cultura fotográfica. Criada para dar continuidade a um percurso consolidado ao longo de várias décadas, a associação prossegue um trabalho em que a fotografia se afirma como instrumento de conhecimento, criação e desenvolvimento regional. A PA-ac integra uma trajetória de referência, expressa em realizações como o Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Tomar (CMT), a criação do Curso Superior de Fotografia (1.º e 2.º ciclos) no Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e, mais recentemente, a fundação do Centro de Estudos em Fotografia de Tomar – CEFT / Casa dos Cubos, iniciativa conjunta da CMT e do IPT.
Assumindo-se como espaço de continuidade e inovação, a PA-ac promove projetos que articulam investigação, criação artística e mediação cultural em torno da fotografia, da paisagem e do território. Entre os seus principais parceiros contam-se a CMT, o IPT e a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIM MT), mantendo um protocolo com o CEFT – Casa dos Cubos, ao qual assegura a proposta e execução do Plano de Atividades.
Destaca-se o projeto Fotografia & Território, desenvolvido com a Antena 1, estruturado em três eixos: uma plataforma web que funciona como repositório nacional de projetos sobre o território; o Ciclo de Exposições Fotografia & Território (5.º ciclo realizado em 2025); e o Concurso em Fotografia & Território para Estudantes e Recém-Diplomados, em colaboração com a Eimagem, em Braga, e a IMAGO, em Lisboa.
É neste contexto que surge o convite da CIM MT para a criação de um projeto dedicado à exploração fotográfica do território regional. Assim nasce Na Paisagem do Médio Tejo: a Fotografia como Mediação Cultural, uma iniciativa que propõe olhar o território como espaço de memória, identidade e transformação, onde as paisagens naturais, urbanas e simbólicas refletem as dinâmicas sociais e culturais em curso.
A fotografia é aqui entendida não apenas como técnica documental ou expressão artística, mas como dispositivo cultural capaz de construir narrativas e mediar relações entre pessoas e lugares. Cada imagem constitui um ato de leitura e inscrição no território, revelando tanto a materialidade do espaço como as formas de o habitar e interpretar. O Médio Tejo, com a sua diversidade geográfica, rios e vales, áreas agrícolas e industriais e vasto património histórico, oferece um contexto privilegiado para este exercício de observação e reflexão visual.
O projeto desenvolve-se a partir de uma metodologia que combina levantamento fotográfico, investigação documental e envolvimento comunitário, promovendo a fotografia como meio de participação. A dimensão educativa e de mediação cultural é central: pretende-se reforçar a literacia visual, estimular o debate sobre
as transformações do território e estreitar a ligação entre património e identidade local.
As atividades incluem exposições, oficinas, residências e publicações, articuladas com escolas, associações e autarquias, criando espaços de encontro entre artistas, investigadores e comunidade. Visa-se, assim, não apenas divulgar a fotografia contemporânea, mas fomentar uma visão partilhada e participativa do território.
O projeto integra ainda uma componente de arquivo e memória visual, reunindo imagens históricas e contemporâneas que documentam as continuidades e mutações da paisagem. Ao construir um arquivo vivo – acessível através de exposições e plataformas digitais – pretende-se reforçar a memória coletiva e a consciência identitária da comunidade do Médio Tejo.
Através da cooperação com instituições locais, agentes culturais e meios de comunicação, o projeto procura ampliar o seu impacto, promovendo o turismo cultural sustentável e valorizando a diversidade do território.
A exposição, da autoria de António Ventura e Duarte Belo, será inaugurada no CEFT – Casa dos Cubos e estará disponível para itinerância na Rede de Museus do Médio Tejo a partir de 11 de janeiro de 2026, acompanhada por catálogo e publicação digital no portal Fotografia & Território.
Em síntese, Na Paisagem do Médio Tejo: a Fotografia como Mediação Cultural propõe articular criação artística, investigação e participação comunitária na valorização da paisagem e do património regional. Através da fotografia, promove um olhar crítico e sensível sobre o território, estimulando a consciência coletiva e contribuindo para a construção de uma identidade partilhada e dinâmica.
O projeto afirma-se, assim, como um espaço de encontro entre arte, memória e cidadania – gerador de conhecimento, promotor de transformação e fortalecimento identitário, aberto a novas formas de ver, compreender e viver o Médio Tejo.
António Martiniano Ventura
Presidente da Direção, Paisagem Adjacente – Associação Cultural
Coordenador do projeto Na Paisagem do Médio Tejo: a Fotografia como Mediação Cultural
A Exposição e catálogo
O projeto fotográfico, que se materializa na exposição e no respetivo catálogo, desenvolve-se a partir de dois conceitos:
- Paisagem Habitada, de Duarte Belo, que apresenta um conjunto de registos fotográficos realizados em cidades e vilas da região, num total de 19 conjuntos;
- Paisagem Percebida, de António Ventura, que, utilizando o comboio como dispositivo de atravessamento e observação da paisagem, apresenta registos fotográficos realizados ao longo de três itinerários — Norte-Sul e Este-Oeste — que cruzam o território do Médio Tejo.
Dos registos produzidos, apresenta-se aqui apenas uma pequena seleção, a título de exemplo.
Paisagem Habitada: o desenho de um rio no coração de um país
Duarte Belo
Minde está no sopé da serra dos Candeeiros, no maciço calcário estremenho, Mação é uma paisagem seca, dominada pelo xisto. Ourém enuncia os território de Leiria, Abrantes é já, em parte, um pedaço do Alentejo. Ferreira do Zêzere, a norte, e Vila Nova da Barquinha ou o Entroncamento, a sul, são relativamente próximos, apenas separados geograficamente, por Tomar, mas são paisagens muito diferentes. As distâncias não são extensas mas o território é muito diverso. Este poderia ser um retrato muito breve do Médio Tejo, linhas abstratas traçadas entre os povoados mais afastados entre si. Linhas para a descodificação de uma geometria que deseja entender a complexidade deste território.
Mação, Sardoal, Ferreira do Zêzere, envolvem o centro geodésico de Portugal. Tomar teve um importante papel na expansão e afirmação da identidade de Portugal nos alvores da nacionalidade. O entroncamento é o coração ferroviário do país. O Tejo é o grande rio estruturador da Península Ibérica onde a sua bacia hidrográfica é quase o tamanho de Portugal.
Não é fácil a descrição da paisagem, nem tão pouco é o objetivo destas fotografias. Estas imagens são apenas um fragmento da realidade urbana, das vilas e cidades que compõem este conjunto de 11 municípios. Como marca do desenvolvimento atual, defini como critério a recolha fotográfica em todas as vilas e cidades da região. São 19 aglomerados urbanos que se agarram a uma topografia existente, que nos mostram edifícios de diferentes tempos, alguns muito recuados. Simultaneamente, há uma identidade que liga arquiteturas recentes por uma certa uniformidade dos modos de construção e dos materiais utilizados.
Como referência a trabalhos de mapeamento fotográfico da região, desenvolvidos no passado, apenas aqui são mostradas 5 fotografias. Evocam viagens antigas, lugares que entretanto se transformaram, mas ao contrário das cidades, mantêm ainda hoje mais reduzidos vestígios de presença humana. São como uma paisagem primordial, um berço a partir do qual se vai marcar a ocupação, a fixação de comunidades desde um tempo remoto, exploração agropecuária, mais recentemente, a indústria e os serviços.
Uma arquitetura tradicional, de construção lenta, ao longo de décadas, profundamente integrada na paisagem por dela extrair os materiais, deu lugar, progressivamente, aos espaços urbanos que hoje habitamos. As diferenças locais estão esbatidas. Percecionamos uma certa homogeneidade das formas da arquitetura. Não vamos questionar o gosto mas a qualidade da arquitetura, da construção e do desenho urbano não é a ideal. Se tivermos como referência o 25 de Abril de 1974, a introdução do regime democrático, vida das pessoas melhorou consideravelmente. Mas há muito a fazer na requalificação dos espaços. Este trabalho de mapeamento fotográfico apenas deseja mostrar a urbanidade que estamos a edificar. São espaços quase sempre esquecidos de um registo imagético que tendencialmente se centra nas questões patrimoniais e monumentais, ou nas paisagens incólumes cada vez mais difíceis de vislumbrar. De norte a sul, este é o retrato de um país de que o Médio Tejo é um fragmento relevante. Há hoje enormes desafios de qualificação e adaptação de uma realidade sempre em mudança. Que a fotografia, nas suas quase ilimitadas capacidades expressivas, nos ajude a entender o tempo contemporâneo, que nos permita vislumbrar possibilidades de futuro.
Paisagem Percebida: um ponto de vista em movimento
António Ventura
A fotografia não é uma cópia direta da realidade. Cada imagem resulta da conjugação de múltiplos fatores que determinam a sua forma e o seu sentido — a luz, o enquadramento, o valor de exposição, a distância focal da lente e, sobretudo, o ponto de vista. Entre esses elementos, o ponto de vista é decisivo, pois incorpora o espaço e o tempo: cada fotografia é tomada num lugar e num instante precisos. A sua escolha condiciona a perceção do motivo e a leitura da imagem. Fotografar de cima pode diminuir o objeto, enquanto que o olhar ascendente o enaltece. Um enquadramento ao nível dos olhos aproxima-se da perceção quotidiana, sugerindo neutralidade ou objetividade. O ponto de vista é, assim, e enquanto possibilidade de escolha do fotógrafo, um elemento essencial na construção da imagem e na relação que o observador irá estabelecer com ela.
A possibilidade de olhar uma paisagem a partir de diferentes pontos de vista é, portanto, praticamente infinita. É por isso que, inspirados pela definição geométrica de linha — o deslocamento contínuo de um ponto —, imaginámos um ponto de vista fixo, mas que atravessasse a paisagem.
É essa a sensação de quem viaja de comboio: a paisagem parece mover-se ao nosso encontro, sucedendo-se em rápidas tomadas de vista que provocam uma sensação de imersão visual no território assim percorrido.
Foi essa experiência que nos levou a utilizar o sistema ferroviário que cruza o território do Médio Tejo em dois eixos principais — Norte–Sul, através do Ramal de Tomar e da Linha do Norte, e Este–Oeste, pela Linha da Beira Baixa. Implantada no início do século XX, esta estrutura ferroviária representa um projeto de desenvolvimento de grande ambição técnica e social, testemunho de uma visão progressista que redefiniu vias de comunicação e transformou a paisagem. O traçado da linha constitui, assim, um ponto de vista privilegiado sobre o território que percorre — e que, simultaneamente, ajudou a modelar.
O comboio foi, por isso, tomado como dispositivo de observação e atravessamento. No interior da carruagem, e a partir de um ponto de vista que, embora se desloque, mantém sempre as mesmas características, o olhar do fotógrafo percorre a paisagem através das janelas amplas, num movimento contínuo que confere à experiência um caráter único: é como viajar dentro da própria paisagem. Fotografar durante esses percursos — em sucessivas e rápidas tomadas de vista — intensifica a perceção imersiva do território, gerando uma sequência de imagens que funciona como uma cartografia visual. Cada fotografia traduz um instante singular do olhar em trânsito, onde a paisagem é simultaneamente atravessada e percebida.
O posicionamento do fotógrafo e da câmara no interior do comboio inscreve nas imagens a materialidade do próprio “dispositivo” que as torna possíveis. Os registos fotográficos conservam vestígios do meio: as imperfeições e densidades dos vidros, a vibração e o arrastamento do movimento, as variações de nitidez e de cor, e o aparecimento fortuito de elementos inesperados nos rápidos e instintivos enquadramentos. Os reflexos, quase sempre presentes, duplicam o ponto de vista e acentuam a sensação de imersão.
Dos vários atravessamentos realizados nos dois eixos ferroviários do Médio Tejo, em diferentes estações do ano, resultou uma ampla coleção fotográfica, da qual apenas uma pequena seleção integra a presente exposição e o respetivo catálogo.
O conjunto de imagens propõe uma leitura da paisagem como resultado de um processo de estratificação contínua — uma sobreposição de camadas natural, rural e construída — que se transforma numa segunda natureza: a paisagem cultural. É nela que se inscrevem a memória, a identidade e a experiência do território, configurando um espaço comum de pertença e de reconhecimento.
Ficha técnica
Idealização e coordenação de projecto
António Ventura, PaisagemAdjacente - associação cultural
Organização
PaisagemAdjacente - associação cultural
Entidade Promotora
Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, CIM MT. Projecto cofinanciado através do Centro 20230
Parceiros
Centro de Estudos em Fotografia de Tomar, CEFT - Casa dos Cubos
Município de Tomar
Instituto Politécnico de Tomar
Rede de Museus do Médio Tejo
O projeto Na Paisagem do Médio Tejo: a Fotografia como Mediação Cultural apresenta-se na forma de catálogo e exposição itinerante, cuja primeira edição terá lugar no Centro de Estudos em Fotografia de Tomar, CEFT - Casa dos Cubos, entre 7 de novembro de 2025 e 11 de janeiro de 2026. Após este período, a exposição integrará a restante Rede de Museus do Médio Tejo, estando disponível para itinerância
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